Por ser uma cidade de passagem, onde circulam veículos provenientes de várias regiões, Várzea Grande reativou o programa de monitoramento do barbeiro, agente transmissor da doença de chagas. As atividades são executadas pelo Centro de Zoonoses do município. Segundo a coordenadora do órgão, Luciana Lopes Castanha Souto, no trevo do Lagarto, por exemplo, circulam carros vindos de Goiás e Minas Gerais, estados onde a doença é autóctone, ou seja, a endemia é transmitida no local. “Há uma preocupação em que estes veículos possam, de alguma forma, trazer o Trypanosoma cruzy, o protozoário transmissor”, explicou.



A veterinária explica que o monitoramento é um trabalho minucioso e detalhado. “Os agentes realizam a busca interna nas residências e nos anexos, como galinheiros e canis”. Segundo Luciana Souto, em média são examinadas em torno de sete casas por dia. A princípio, o centro está atendendo o bairro São Mateus, onde já foram examinadas 191 residências.




De acordo com a veterinária, quando encontrado o barbeiro é identificado e nele realizado o exame parasitológico. “A análise revela a presença do protozoário da doença de chagas. Todo o trabalho de campo e laboratorial é realizado pelo Centro de Zoonoses”, frisou.




A meta da Secretaria Municipal de Saúde é atingir cerca de 24 bairros em seis meses. Para Luciana Souto, a equipe está empenhada no trabalho preventivo e na orientação à população sobre a doença de chagas. “Ao picar uma pessoa infectada pelo parasita, geralmente à noite e na região da face, o barbeiro torna-se portador dos tripanossomos, que se reproduzem em seu intestino. Quando o mesmo inseto pica outro indivíduo sadio, ele deposita fezes contaminadas. A vítima, ao coçar o local, espalha as fezes do mosquito sobre o ferimento. Dessa maneira, os parasitas penetram nas células da pele, atingindo a circulação sanguínea”, detalhou.


Segundo a médica, nessa etapa, chamada de fase aguda, não há manifestação de sintomas na maioria dos casos. Quando ocorrem, o doente apresenta forte reação local à picada e febre alta. Luciana Souto completa que se não é diagnosticada na fase aguda, quando ainda tem cura, a doença evolui para a forma crônica. “Os tripanossomos instalam-se nos músculos, especialmente no coração. Ao atingir e destruir fibras musculares, provocam insuficiência e arritmia cardíaca, que podem levar à morte”.




Parceria




Além do monitoramento do barbeiro, o Centro de Zoonoses, em parceria com a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, está intensificando o combate a leischimaniose. Assim que diagnosticada a doença, o instituto é notificado. Dessa forma, explica Luciana Souto, a ação se torna mais rápida e eficaz. “Em conjunto, é possível encontrar o foco do mosquito e prevenir a proliferação”, sublinhou.


O Centro de Zoonoses realiza um levantamento entomológico, ou seja, uma triagem do flebótomo, o mosquito transmissor da doença. Em seguida, é feita a sorologia canina no local. “Nos cães a doença é crônica e fatal”, informou.

 


A ação já está sendo executada nos bairros São Mateus, Eldorado e Sabiá. “Nessas regiões foi encontrado alto índice de sorologia canina positiva. Até o momento obtivemos 110 resultados positivos”, numerou Luciana Souto. Em contrapartida, a veterinária completou que a equipe da Zoonoses está desenvolvendo um trabalho educativo nas escolas da região e nos quarteirões onde foram encontradas as incidências.




Ela ressaltou a resistência da população em se desfazer dos animais infectados. “O resultado positivo é extremante confiável. São realizados dois exames, prova e contraprova, no Laboratório de Análises Clínicas de Mato Grosso - Lacem”, disse.




Na avaliação da veterinária, além da parceria entre as instituições é preciso a participação da comunidade. “Caso haja suspeita da doença, procurem a Secretaria de Saúde ou o Centro de Zoonoses. Estamos aptos a atender e combater todos os tipos de endemias”, concluiu.