Atualmente, incidência de casos de tuberculose em pacientes com HVI desperta preocupação entre os profissionais da saúde em Várzea Grande. Trinta por cento das pessoas que desenvolveram a aids têm tuberculose. Elevação da taxa de abandono durante o tratamento da tuberculose também será discutida 


Profissionais da saúde de Várzea Grande iniciaram hoje (25-06), o primeiro encontro promovido pelo Município para capacitação com ênfase em co-infecção tuberculose/HIV/aids. Oitenta profissionais entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, agentes de saúde, assistentes sociais e todos que atuam na área de saúde da cidade participam da programação. 

O encontro está sendo realizado no buffet Rosane Miranda, no bairro Ponte Nova, em Várzea Grande, das 8h às 17h. A capacitação termina amanhã, quinta-feira, com encerramento previsto para o final da tarde. 

A gerente do Programa de Tuberculose e Hanseníase do Município, Lizete Maria Rosa, explica que a tuberculose é uma das doenças oportunistas no organismo do paciente que desenvolve a aids. “Encontra um organismo debilitado e se instala”. 

A gerente do Serviço de Assistência Especializada (SAE), Lindamar Saragiotto, faz um alerta: atualmente cerca de 30% dos pacientes com aids têm a tuberculose. “E é esse trabalho em conjunto, tanto para diagnóstico e principalmente, para o tratamento, que devemos estar atentos e capacitados”. 

Em 2007 foram diagnosticados pelo Município 91 novos casos de tuberculose, sendo desses, 38 de casos bacíferos, ou seja, a forma pulmonar da doença. “Para cada 100 mil habitantes, cerca de 35% da população apresenta alguma forma da tuberculose”, revela Lizete. 

Como justifica a gerente, a capacitação possibilitará uma gama maior de conhecimentos aos profissionais, já que as palestras que estarão sendo realizadas nesses dois dias, serão proferidas por médicos infectologistas. “Com conhecimentos, poderemos ampliar o número de diagnósticos”, frisa Lizete. 

O número de óbitos em decorrência da tuberculose aumentou em Várzea Grande em 2007, comparado ao ano anterior. Em 2006 foram sete mortes e em 2007, doze. “O maior obstáculo que a saúde pública, principalmente, enfrenta é a resistência do paciente em dar continuidade ao tratamento e também, comparecer as reavaliações médicas. Por isso os casos da doença estão levando os portadores da tuberculose à morte”, conta Lizete. 

Nas estatísticas da secretaria de Saúde de Várzea Grande o número de pacientes que abandonam o tratamento aumentou entre 2007 e 2006. “A meta de cura estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 85%, porém, em Várzea Grande, no ano passado, atingimos 70% da taxa de cura. Cada vez que a taxa de abandono aumento, as chances de cura vão recuando. Os pacientes são resistentes ao tratamento e cada parada de medicação torna o bacilo da doença mais persistente”. 

Para incentivar os pacientes com tuberculose a levar o tratamento até o fim, a secretaria de saúde de Várzea Grande implantou o tratamento observado. “Antes o paciente vinha aqui, pegava os comprimidos e levava para casa. 

Agora, ele ganha vale transporte e lanche para ir até a sua unidade de saúde e tomar o remédio das mãos de um profissional. Esperamos que nas estatísticas de 2008 haja uma melhora nos números em favor da cura da doença”, frisa Lizete.